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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Triconomics 29/Jan/2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Olecranoalgia

Em outros tempos classificaria o choramingo de Luiz Gonzaga Belluzzo sobre a alteração da política econômica como dor-de-cotovelo.  Já hoje estou convencido de que se trata precisamente disto. Depois de capitanear há pouco um manifesto a favor da presidente e da política então vigente, afirma não considerar a mudança “uma traição, e sim, submissão”. A presidente teria capitulado “diante das pressões de mercado, assim como os líderes europeus”. Parece menos grave do que “traição”, mas o efeito final é o mesmo: ao menos por ora o governo não parece (ainda bem!) disposto a seguir suas recomendações.

Mansidão à parte, é claro que houve capitulação. Não, é bom que se diga, diante do “mercado”, esta entidade incorpórea que leva a culpa quando os “keynesianos de quermesse” se sentem traídos. O que levou à rendição foi o desempenho pífio da política econômica que vigorou no primeiro mandato, pela qual Belluzzo, como interlocutor privilegiado da presidente, foi um dos responsáveis.

A “nova matriz macroeconômica” pôs em prática exatamente as prescrições de economistas como ele, que em momento algum discordou do que foi adotado. Do lado fiscal o gasto federal cresceu como nunca, atingindo no ano passado um aumento de R$ 193 bilhões relativamente ao observado em 2010, já deduzida a inflação. Disto, menos de R$ 20 bilhões correspondeu a investimento adicional, mesmo colocando no bolo a partir de 2013 os gastos ligados ao Minha Casa, Minha Vida, o que superestima a ampliação do gasto de capital.

Os bancos públicos também emprestaram como se não houvesse amanhã. Apenas no BNDES o volume de crédito saltou de 9,4% para 12,1% do PIB em quatro anos (R$ 170 bilhões em dinheiro de hoje), praticamente todo financiado pelo aumento da dívida do Tesouro Nacional, cujos repasses para o banco atingiram R$ 160 bilhões no período.

Seguindo as recomendações da “nova matriz”, a moeda sofreu desvalorização. Além das intervenções regulatórias (limites às vendas de dólar, IOF sobre ingressos, etc.), o Banco Central comprou cerca de US$ 63 bilhões em 2011 e 2012, trazendo o dólar de R$ 1,60-1,70 para R$ 2,10-2,20 entre 2011 e meados de 2013. No mesmo intervalo as demais moedas latino-americanas se apreciaram relativamente ao dólar, sugerindo que se tratou de política deliberada e não um movimento global, como o observado nos últimos meses.

Já o BC, mesmo em face de inflação acima da meta e crescente, insistiu em reduzir a taxa de juros de 2011 a 2012. Apenas a ameaça da inflação superar o limite máximo de 6,5% é que fez o Copom correr, tardia e relutantemente, atrás do prejuízo.

Por fim, com as dificuldades de conter a inflação, houve recurso a controles diretos de preços, dos combustíveis à energia, passando pelas tarifas de ônibus urbanos, intervenção tosca que desarticulou, entre outros, os setores sucroalcooleiro e energético, para não mencionar o desastre nas finanças da Petrobras, que se tornou a empresa de petróleo mais endividada do mundo.

Os resultados estão aí: crescimento de 1,5% ao ano, inflação superior a 6% ao ano, déficits externos crescentes e uma dívida pública que saltou de 53% para 63% do PIB (aumento de R$ 1,2 trilhão). Em português castiço: deu com burros n’água...

A política agora adotada vem para corrigir as bobagens cometidas em nome da “nova matriz”, alegremente apoiada por Belluzzo. Já dizia Guimarães Rosa: “sapo não pula por boniteza, mas porém por precisão”.

Na ausência do ajuste fiscal não há como permitir o encarecimento do dólar sem efeitos ainda mais perversos sobre a inflação (enquanto na Europa, ele parece ignorar, o problema é a deflação), nem como reverter a tendência de aumento da dívida pública.


Há de custar caro? Há, mas o custo de por em casa em ordem, é bom deixar claro, é responsabilidade daqueles que a desarrumaram e Belluzzo fez parte, com gosto, deste time, não por acaso a caminho da Segundona.

Ai...


(Publicado 21/Jan/2014)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Triconomics 27/Jan/2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Reservatórios 25/jan/2015


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Triconomics 22/Jan/2015

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Juras de amor e convergência

Parece incrível, mas houve quem tecesse loas ao legado de Guido Mantega no ministério da Fazenda, em especial à inflação de 6,4% no ano passado, muito embora esta tenha superado a meta em quase dois pontos percentuais, no limite máximo permitido, e mesmo assim à custa de controles de preços que desarrumaram ainda mais a economia.

Se, porém, o elogio é pernicioso, pior é a tentativa fajuta de vender a ideia que a inflação elevada é um “problema estrutural”, sina da qual o país não pode escapar.

Segundo esta historinha, no governo Dilma a inflação ficou em 6,2% ao ano, apenas um pouco acima do observado no governo Lula, quando a média atingiu 5,8% ao ano. Assim, de alguma forma, a inflação brasileira “tenderia” a um patamar ao redor de 6% e o melhor seria se acostumar com esta ideia.

Não é preciso muito para localizar os furos do argumento. A começar pelo uso da média, conceito que, se mal utilizado, serve para revelar apenas o que se deseja, ocultando o fundamental. De fato, no governo Lula a inflação média ficou em 5,8% ao ano, mas isto esconde que no segundo mandato caiu para 5,1% ao ano, bem inferior aos 6,4% ao ano observados entre 2003 e 2006.

Aliás, mesmo este número é exagerado, pois reflete em grande medida os impactos da crise política de 2002, visíveis na elevada inflação do primeiro trimestre de 2003 (5,1%). Entre abril de 2003 e dezembro de 2006 a inflação registrou 5,4% ao ano.

Fica claro, portanto, que a inflação veio em queda durante o governo Lula, ainda que com oscilações ao longo do processo. É no governo Dilma que a trajetória se inverte, apesar do uso generalizado do controle de preços.

Mais importante, porém, é o desvio da inflação com relação à meta, lembrando que a meta foi mais alta no período 2003-2006 do que nos anos subsequentes, quando estacionou em 4,5%. Durante os oito anos do governo Lula o desvio médio foi 0,7% por ano, praticamente igual nos dois mandatos. Já no período 2011-14 atingiu 1,7% por ano, um ponto percentual a mais do que o observado anteriormente.

Resumindo, o governo Dilma foi marcado por inflação mais alta e ainda mais distante da meta. Nenhum destes processos é consistente com a noção de uma “inflação estrutural”, contra a qual pouco se pode fazer. Pelo contrário, se a inflação subiu, isto significa necessariamente que ela já foi mais baixa e que, portanto, não há nenhum obstáculo intransponível para a obtenção de resultados melhores do que os registrados no período mais recente.

Faltou, é claro, uma atuação mais destemida do BC. Desde muito cedo o Copom deixou de perseguir a meta, fato revelado pela redução da taxa de juros mesmo em face de inflação corrente e esperada crescentes, na contramão do indicado por qualquer compêndio de política monetária.

Agora, mais uma vez, o BC promete trazer a inflação de volta à meta em 2016, devoto do “fiado só amanhã”. No entanto, ao explicar a alta inflacionária em 2014 seu presidente se apressa ao negar qualquer responsabilidade, atribuindo o problema ao encarecimento do dólar e ao aumento dos preços administrados.

Deixa convenientemente de lado o represamento a que estes preços foram sujeitos em anos anteriores, assim como a pesada intervenção no mercado de câmbio. Satisfeito com isto, o BC não agiu para reduzir a inflação.

Tivesse o BC feito o que era necessário, os impactos do dólar e dos preços administrados (que devem se repetir este ano) implicariam riscos bem menores quanto ao possível “estouro” do limite superior da meta.

O primeiro passo para recuperar a credibilidade do BC seria o reconhecimento da sua responsabilidade no processo, assim como o bom diagnóstico é base para a cura.


O histórico de inflação acima da meta já não ajuda, mas, sem o mea culpa, fica ainda mais difícil acreditar em nova jura de convergência, principalmente em face dos números que nos aguardam no começo de 2015.

Agora à vera


(Publicado 14/Jan/2015)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Triconomics 20/Jan/2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Triconomics 15/Jan/2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Tirocínio mínimo

Como sempre, a presidente não desperdiçou a chance de perder uma oportunidade. Ao publicamente advertir seu recém-empossado ministro do Planejamento acerca das mudanças nas regras que determinam o reajuste anual do salário mínimo (SM) ela conseguiu a proeza de cometer erros econômicos e políticos absolutamente primários.

De acordo com a norma vigente o SM é reajustado pela inflação do ano anterior (medida pelo INPC, o “irmão pobre” do índice oficial de inflação, o IPCA), combinada ao crescimento do PIB de dois anos atrás.

Por exemplo, o INPC de 2014 deve ter atingido em torno de 6,2%, enquanto o crescimento do PIB de 2013 ficou em 2,5%. Assim, o reajuste do SM foi acertado (provisoriamente, pois ainda precisamos saber o INPC de dezembro) em 8,8%, o que o trouxe de R$ 724,00 para R$ 788,00 por mês.

A regra atual implica, portanto, aumento do SM persistentemente acima da inflação (o crescimento do PIB pode ser negativo, mas, na prática, quando isto ocorre o reajuste fica igual à inflação), o que, aliás, se observa desde a estabilização da economia em 1994. No governo FHC o SM aumentou 4% ao ano acima da inflação, enquanto nos governos Lula e Dilma este ganho atingiu 4,8% ao ano. De 1994 para cá, portanto, houve aumento real superior a 140%.

O problema, no caso, é que boa parte do gasto federal está de alguma forma ligado à evolução do SM, em particular as despesas previdenciárias. Estima-se que a cada 10% de aumento do SM os gastos subam cerca de R$ 25 bilhões/ano (0,5% do PIB), ou seja, em 2015 a elevação já definida adiciona algo como R$ 22 bilhões (0,4% do PIB) às despesas federais.

À luz disto, qualquer economista que tenha estudado as contas públicas sabe que a política de aumento persistente do SM acima da inflação é insustentável. O atual ministro do Planejamento – que aparentava desconhecer o problema enquanto esteve na equipe de Guido Mantega – parece ter finalmente se convencido de sua relevância. Daí seu anúncio, rapidamente desmentido, sobre as alterações das regras atuais.

No entanto, a bronca presidencial pública parece não ter considerado uma série de questões.

A mais óbvia diz respeito à autonomia da equipe econômica. Como já tive oportunidade de explorar neste espaço, a única forma de a presidente persuadir o público que não pretende manter a desastrosa “nova matriz macroeconômica” requer uma equipe que não se sujeite ao papel de marionetes, como foi o caso do primeiro mandato. Há dúvidas consideráveis a este respeito (eu, por exemplo, sigo longe de convencido) e o episódio da bronca apenas adiciona ao clima de incerteza. Isto implica custos mais elevados em termos de produto para ajustar a economia.

Não bastasse isto, as regras vigentes já resultariam numa elevação muito modesta do SM em 2016 e 2017, pois o crescimento do PIB em 2014 e 2015 deve ser muito baixo, conforme expresso na versão mais recente da pesquisa Focus do BC, que sugere expansão de 0,15% e 0,50% respectivamente.

Posto de outra forma, a presidente diminuiu de graça a estatura de seu ministro, pagando um custo elevado em termos de credibilidade em troca da sugestão de manter uma política que implicaria ganho real do SM inferior a 1% nos próximos dois anos.

É compreensível que a presidente esteja na defensiva após ter quebrado as promessas de não mexer nos direitos trabalhistas (“nem que a vaca tussa”), mas isto não é desculpa para ter incorrido em erro tão elementar.


Neste aspecto é revelador que a presidente não pareça ter refletido sobre a melhor resposta a um problema que, no final das contas, seria trivial em face das circunstâncias esperadas. Ela ainda não caiu em si sobre a enormidade da tarefa que enfrenta e segue tentada a manter a atitude centralizadora, deixando pouco espaço para sua nova equipe formular o ajuste necessário. Um péssimo sinal sobre o que nos aguarda à frente.

Ops!

(Publicado 7/Jan/2015)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Triconomics 13/Jan/2015